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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Síntese do texto "A REINVENÇÃO DA ALFABETIZAÇÃO"


Síntese do texto: "A REINVENÇÃO DA ALFABETIZAÇÃO", de Magda Soares.


O acesso ao mundo da escrita se faz de duas formas: através do aprendizado da técnica, pois aprender a ler e escrever é uma técnica que envolve relacionar sons/letras, fonemas/grafemas para codificar ou decodificar, segura no lápis, direção convencional da escrita; através do desenvolvimentos de práticas para o uso dessa técnica, pois não adianta aprender uma técnica e não saber como usá-la. Essas aprendizagens constituem dois processos simultâneos e interdependentes, indissociáveis e diferentes: alfabetização e letramento.


A alfabetização, que é a aprendizagem da técnica, domínio do código convencional da leitura e da escrita e das demais relações, não é pré-requisito para o letramento. Não é preciso aprender primeiro a técnica para depois aprender a usá-la e, infelizmente, isso aconteceu durante muito tempo na escola, o que é um engano seríssimo, pois as duas aprendizagens devem ocorrer ao mesmo tempo, sendo que uma não é pré-requisito para outra.


A alfabetização é uma parte constituinte da leitura e da escrita, com uma especificidade que não pode ser desprezada. A alfabetização é algo que deveria ser ensinado de forma sistemática e não diluída no processo de letramento.


A perda da especificidade do processo de alfabetização está ligada de certa forma a uma concepção associada ao construtivismo e a maneira como ela se difundiu no sistema. Atrelada a isso, veio a ideia de que não seria preciso haver método de alfabetização. Infelizmente, com o passar dos anos os professores ficaram com aversão ao surgimento de novos métodos: fônico, silábico, global. Isso foi uma consequência errônea dessa mudança de concepção de alfabetização. Passou-se a ignorar e menosprezar a especificidade da aquisição da técnica da escrita.


Ninguém aprende a ler e escrever se não aprender relações entre fonemas/grafemas, codificar/decodificar, pois isso é específico do processo de aprender a ler e escrever, mas as alfabetizadoras que insistem nisso são chamadas de retrógradas e ultrapassadas, quando na verdade, elas estão ensinando o que é preciso: codificar/decodificar.


Antigamente, havia um método, mas não uma teoria. Hoje tem-se uma bela teoria construtivista da alfabetização, mas não tem método. E é preciso ter as duas coisas: um método fundamentado numa teoria e uma teoria que produza um método. De qualquer teoria educacional tem de derivar um método que dê um caminho ao professor, pois só o ambiente alfabetizador não é suficiente.


O construtivismo nos permitiu saber que os passos da criança em sua interação com a escrita, são dados numa direção que permite a ela descobrir que escrever é registrar sons e não coisas. Isso é viver num processo de descobertas, passando pelos níveis da escrita até a criança se tornar alfabética. Esse foi um grande esclarecimento proporcionado pelo construtivismo.


E quando a criança se torna alfabética é a hora de entrar no processo de alfabetização, aprender a ler e escrever, pois agora surge o problema da apropriação dos sistemas alfabético e ortográfico de escrita, que são convencionais, regrados e, na maioria das vezes, sem fundamento lógico. Nesse campo, a grande colaboração vem da Linguística, ao tratar das relações entre sistema fonológico e ortográfico. Isso é especificidade do processo de alfabetização. Não basta conviver com material escrito, mas sim orientar sistemática e progressivamente para que a criança possa se apropriar do sistema de escrita. Isso é feito junto com o letramento, com o uso de textos reais.


Desde que a criança tenha descoberto que o sistema é alfabético, está apta a aprender esse sistema.


Estamos vivendo um momento grava na área da alfabetização, pois é grande o fracasso e devido ao surgimento de tentativas de recuperar a especificidade da alfabetização. É preciso observar qual caminho tomar, mas não voltar para o que já foi superado, pois isso não é avançar.

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